
Coisas que deverão acabar no decorrer da evolução humana
Pipoca no cinema – Não adianta. Você busca um lugar solitário, até mesmo um ângulo ruim mas sem babacas para lhe importunar, e eis que alguém decide surgir com um saco de 4 litros de pipoca para mastigá-la bem ao seu lado. É possível sentir na espinha a resistência do milho queimado sendo triturada por paredões de dentes inconvenientes que, obviamente, nunca se perguntaram quem foi que disse que pipoca combina com cinema. E enquanto o público mastiga óleo e gordura, coxinhas, pães-de-queijo e outras delícias silenciosas dormem solitárias no abandono frio dos caixas.
Balões de festa – Esse é um assunto que vale a pena ser retomado. O homem atravessou, com sucesso, a Era Glacial. Superou a peste negra, inventou a penicilina, a pílula anticoncepcional e as duas grandes guerras. Um dia, um criminoso decidiu fazer o balão de festa, considerado, ao lado da cantora Simone, uma das invenções mais pavorosas do nosso tempo. Mas alguém convocou todas as senhoras de meia-idade do mundo e disse que era bonito, que ia bem de quinze anos a inauguração de conjunto habitacional e que não havia restrição quanto à combinação de cores. E assim foi feito.
Reggae de apartamento – Se estivesse vivo, Bob Marley provavelmente estaria chapado o suficiente para perceber, mas sua música havia virado um pagode de três acordes sincopados na mão de gente que protesta contra os males do mundo a bordo de uma Ecosport cheia de maconha. Saem os dreads cuidadosamente ensebados pelo desleixo, entra o louvor a Jah a 30 reais, sem consumação.



















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