By Francilio Ribeiro Martins

Grandes coisas que ainda não fiz

Escutar Dark Side Of The Moon simultaneamente com a exibição de O Mágico de Oz
Até hoje mantive minha imunidade ao gosto pelo Pink Floyd, sempre achei uma chateação desnecessária para filhos de classe média que já sofrem para pagar aluguel, agüentam chefes autoritários, fogem da violência nas grandes cidades e ainda precisam discutir relações a todo o momento com namoradas e amigos que não enxergam o ridículo da situação. Depois de tudo eu ainda preciso me preocupar em sincronizar um disco chato com um filme borboletante? Ora bolas, prefiro aprender a passar roupa.

Comer Trufas
Não sei o que é uma trufa. Como será sua forma, sua cor, sua miríade de sabores, quais lembranças visuais a degustação de tal iguaria poderia fornecer à minha memória? Não sei. Simplesmente não sei e não quero saber. Tenho tão pouca vontade em saber que não me forneço o trabalho de ao menos digitar a palavra no Google ou na Wikipédia. Em outras palavras: as trufas que se explodam (desde que não manchem minhas roupas que deram o maior trabalho para passar).

Participar de uma trilha
Cada um tem seus masoquismos e a escolha destes é puramente pessoal. Eu, por exemplo, ainda não vi sentido em passar horas caminhando no mato sob o sol, acabando com meus pés, prejudicando as articulações de meus joelhos e destruindo a natureza ao desferir golpes de facão em vegetais inocentes e estapeando pobres mosquitos desavisados. Masoquismo por masoquismo, prefiro os disponíveis no ambiente urbano, como os engarrafamentos, que são muito mais confortáveis: você fica todo tempo sentado e ainda pode escolher a trilha sonora.

Ter contato com meu Eu interior
Se eu já sou chato, imagina o meu Eu que vive no interior, isolado e sem contato com as maravilhas do mundo como mulheres, dinheiro e os jogos de tiro em 1ª pessoa no ps2. Além desta diferença de mundos, esse tal Eu interior deve ser um bocó de primeira grandeza, pois as formas de entrar em contato com ele são sempre as mais idiotas do mundo, afinal, conversar com alguém que só se comunica através de cristais, luzes coloridas, chacras e músicas da Enya deve ser um pé no saco.

 

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