By Francilio Ribeiro Martins

Universidade F. Martins- Como ser um colunista descolado

Lance moda, promova tendências - A sobrevivência de um colunista descolado está na sua capacidade de inventar moda. Por isso você tem que estar atento e ser criativo. Diga que na alta-roda a grande onda agora é ir de smoking para a feira da 25 tomar sopa de mocotó ou que nas boates de São Paulo a moda é sair de casa vestido igual à Perpétua, a personagem de Joanna Fonn em Tieta. Procure no Google artistas ou bandas que ninguém conhece e arrote conhecimento falando que adorou 'Goiabeira no Infinitivo', o novo filme do cineasta de Burkina Fasso Jsqhwxhws Lfrwsmpsd (pronuncia-se 'Fsqwzmx Jklq') ou o disco que a fagotista vietnamita H’n H’n gravou com versões em mandarim para as músicas da Banda de Pífanos de Caruaru. Para o colunista descolado, o céu é o limite. E se alguém entrar na onda, melhor ainda.

Qualquer coisa vira notícia - A semana está acabando e não aconteceu nada de interessante. Não importa, no mundo do colunismo social descolado tudo é notícia, do artesanato com garrafa de quiboa que você viu na estrada ao DVD do Michel Bublé que o seu amigo comprou na promoção e exibiu em um jantar na casa dele. O importante é fazer a notícia parecer maior e mais importante do que ela realmente é. Daí a necessidade de sempre inventar rótulos e expressões descoladas para pontuar as notinhas que você despeja na sua coluna quando o assunto começa a rarear. Um churrasco no quintal da casa do seu cunhado vira 'Uma turma mega-hiper-apimentada arrasou até as primeiras horas da manhã no anexo da residência de Francinaldo Sussuarana. Ele, que é figura de ponta do mundo vip, vem se firmando como o melhor hostess da cidade por sua graça, harmonia e carisma. Parabéns, Sussu!'. Ninguém precisa saber que só foram à festa você e mais uns gatos pingados e nem que o tal 'anexo' é só um acimentado com um chuveiro pro pessoal tomar banho. Mas, acredite, um monte de gente vai morrer de inveja.

Não se preocupe com o leitor - E daí que um milhão de pessoas não conheçam Brendon Tabosa e nem estão interessadas em saber que ele queimou a virilha tomando banho de água quente em Caldas Novas? E quem quer saber que Lourianny Sagarana, na Semana Santa em Punta Del Este, ganhou no bingo um boné autografado pelo Jean-Claude Van Damme? Enquanto você determinar que essas coisas são notícia, tudo bem. O que conta é a sua capacidade de fazer as pessoas acreditarem que essas coisas realmente são relevantes. O resto é só um detalhe. Como diria Ibrahim Sued, 'sorry, periferia'.

 

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